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Chefe manezinho leva os sabores de Florianópolis para a China

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Manezinho da Ilha, pescador por vocação e cozinheiro por destino, o chefe Narbal Correa prepara mais uma travessia internacional levando na bagagem aquilo que define sua trajetória: comida simples, identidade cultural e relação direta com o mar. Em março, ele desembarca em Macau, na China, para participar do Festival Gastronômico de Macau, um dos principais encontros mundiais da gastronomia.

Esta será a quarta participação de Narbal no evento e, segundo ele, não há muito espaço para invenção quando o assunto é representar o Brasil e Florianópolis. “No que a gente ganha, não se mexe”, resume. No cardápio, símbolos que atravessam fronteiras: empadinha de camarão, coxinha de frango, brigadeiro, quindim e caipirinha de limão. Pratos conhecidos, afetivos, que despertam reconhecimento imediato tanto em estrangeiros quanto na grande comunidade brasileira que vive na região.

No Festival de Macau, o chefe não representa apenas um restaurante, mas uma cidade que foi a primeira do Brasil a receber o título de Cidade Criativa da Gastronomia pela Unesco. Segundo ele, a gastronomia catarinense desperta atenção internacional pela qualidade dos frutos do mar, influenciada pela geologia e pela temperatura das águas do litoral. “Eles já esperam a gente. Querem ver o que vamos apresentar.”

Natural de Florianópolis, Narbal carrega no discurso e na prática uma defesa firme da gastronomia como expressão cultural e econômica. Pescador há décadas, ele conhece o mar antes da panela. Essa relação direta com o alimento é também reflexo de um avanço importante na política pública catarinense: a permissão para que pescadores artesanais possam vender pescados e frutos do mar frescos diretamente a restaurantes, sem intermediários.

Gastronomia reconhecida mundialmente

A rede de Cidades Criativas da Gastronomia reúne municípios que utilizam a culinária como ferramenta de desenvolvimento cultural, social e econômico. No Brasil, Florianópolis foi a primeira a receber o reconhecimento, em 2014, abrindo caminho para outras cidades como Belém, Paraty e Barão de Cocais.

A proposta vai além da promoção turística: envolve políticas públicas, valorização de saberes tradicionais, sustentabilidade e fortalecimento das economias locais a partir da comida.

No cenário internacional, eventos como o Festival Gastronômico de Macau funcionam como vitrines estratégicas para essas cidades, estimulando intercâmbio cultural e projeção global. Para chefes como Narbal Correa, a participação vai além da experiência profissional: é uma forma de reafirmar a identidade da cidade no exterior, mostrando que a gastronomia de Florianópolis não se sustenta apenas em técnica, mas em território, história e modos de vida preservados.

Qualidade incentivada por lei

Em Santa Catarina, a chamada “Lei dos Pescados” autoriza a venda direta do pescado fresco, conservado apenas em gelo, desde que utilizado exclusivamente na preparação dos pratos do próprio estabelecimento. Em Florianópolis, a norma foi regulamentada por decreto municipal, reconhecendo oficialmente uma prática histórica da Ilha e fortalecendo a pesca artesanal local. Para Narbal, trata-se de uma conquista que impacta diretamente a qualidade da cozinha. “É isso que garante peixe fresco, identidade e respeito ao território”, costuma defender.

(ND, 11/02/2026)


Nota do Editor:

Florianópolis foi oficialmente reconhecida como Cidade Criativa da Gastronomia pela UNESCO em 2 de dezembro de 2014, tornando-se a primeira cidade brasileira a receber essa distinção. O título integra a Rede de Cidades Criativas e destaca a gastronomia como instrumento de desenvolvimento cultural, social e econômico.

A candidatura foi coordenada pela Associação FloripAmanhã, em parceria com a Prefeitura Municipal e entidades da sociedade civil e acadêmica, com o objetivo de ampliar a visibilidade internacional da cidade e fortalecer o setor gastronômico como vetor estratégico de desenvolvimento.

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